Publicado por: WilliamIF | Abril 1, 2010

Crayon Shin-chan: Arashi wo Yobu Appare! Sengoku Daikassen (parte 1)

Bom, agora sim, o “primeiro” post pra valer.

Para essa ocasião, trago para todos uma legenda feita com ajuda da Priscila do filme Crayon Shinchan: Arashi wo Yobu Appare! Sengoku Daigassen (クレヨンしんちゃん 嵐を呼ぶ アッパレ! 戦国大合戦, 2002), filme o qual tratarei hoje, com foco no quesito tradução.

Baixe Aqui!

O filme, dirigido por Keiichi Hara (Coo, 2007), é um spin-off da série televisiva, que por sua vez tem por base os quadrinhos de título homônimo.

O porquê da escolha desse filme? Ora, IMDB não consta e dificulta registro no seu banco de dados; até onde sei, não houve lançamento no Ocidente, exceto na Espanha; o autor, Yoshito Usui, faleceu ano passado (vamos trazer a memória dele de volta!); e, basicamente, este é um dos melhores filmes do Shin-chan. Ou seja, teimei com o filme. É bom e ninguém conhece.

Acima, storyboard do Império-Adulto; abaixo, do Sengoku, medieval japonês.

… … …Certo, certo. De 1993 para cá, com a velocidade de produção de um filme por ano, muitos filmes-meleca do Shin-chan conheceu a luz do dia. Mas assisti a todos eles e consigo defender uma (meia-) meia-dúzia de seus filmes. O filme desde tópico, o medieval histórico (2002) e o do Império-Adulto (2001) são bons filmes; o do parque HenderLand (1996) e o da viagem no tempo (1995) são divertidos. Com esforço, o do faroeste(2004) e o do churrasco (2003), são razoáveis. Mas o resto é… o resto. Não alimento expectativa para o filme desse ano.

Dito isso, vamos ao que interessa: a tradução.

Não sou lingüista nem especialista para me comprometer com as eventuais inverdades que eu vier a escrever. Então, antes que eu escreva bobagem, tentarei ser sucinto (“-Sei”).

Bela escolha a nossa: um filme cômico e histórico, do japonês para português, e sem experiência prévia. Confesso que nunca achei que isso fosse me custar tanto tempo. Pensei que o triplo do tempo do filme bastaria para legendar. Muito amador. Os processos todos de legenda inclui a sincronização, que, por definição, leva uma unidade de tempo de duração do filme para terminar… Nunca serei um fansubber.

Mas não estou aqui para falar da do processo, mas sim da (olha que bonito) reflexão experienciada no decorrer do trabalho… … … Ou melhor, de umas questões genéricas de tradução que freava a toda hora o andamento do troço.

Traduzir é fácil. A questão é adaptar. Vou TENTAR explicar sem ser específico:

Há métodos e tipos de adaptação. Quem adapta deve recorrer ao seu conhecimento das linguagens específicas, de cada uma das envolvidas. É afinal uma experiência cognitiva conduzida à outra (não achei outra palavra, desculpe). Nem tudo que há numa língua há em outra. Pois tratam-se de entidades diferentes e, deste modo, um pode carecer de elementos específicos para transpor ao outro. Com isto quero dizer que uma tentativa de transcrição literal está condenada ao insucesso sem interpretação e expressão adaptada; se não foi considerada a transposição equivalente dos termos.

As propriedades são específicas de cada meio, cada linguagem possui um léxico de códigos disponíveis para expressão, as escolhas e os modos mais apropriados para seus usos estão sujeitos às decisões do seu executor, conforme seu tipo de proposta, que pode variar de transcritiva à de livre interpretação.

Fiz uma colocação aberta meio teórica.

No nosso caso, preferimos permanecer no meio-termo. Tomamos certas liberdades, mas tentamos dizer o que achamos que o filme dizia.

… … … O que quero dizer com isso é que, esse trabalho exige do conhecimento das duas línguas e da ponte que se faz entre elas. E que imaginei que eu pudesse fazer isso com muito mais facilidade… Vou listar, agora sem teorias, uns poucos desses elementos que causaram a dor de cabeça:

1. a língua japonesa é a língua dos modismos .

Existem sim palavrões agressivos, existem sim palavras cordiais, mas em geral as posturas verbais são assumidas por maneiras de se dizer, que acontece, não só na entonação ou nas escolhas de palavras e sinônimos, claro, mas nos sufixos frasais.

O que acontece é que, para gramática japonesa, é relevante a relação estabelecida entre o emissor e receptor da palavra. Estabelece-se um ponto de vista e parte-se daí… Não, não é irrelevante, uma vez que a frase precisa ser terminada. É aí que escolhas têm de ser tomadas. O como (terminar de) vai falar aquilo… Não está claro? Por ex.: a distância entre “eu vi” e “eu pude ver” é umas sílabas do sufixo.

E o que isso tem a ver com legenda? Questão de esforço de medição da intensidade da expressão. O homem não falou “leve”, mas sim “leve, por favor”; não falou “menino”, mas sim “moleque!”, etc. Ufa.

2. construção da fala vs. piada .

Não vou retomar nada de análise sintática nem coisa parecida. O que importa saber aqui é que umas frases em japonês, tais como as compostas, costumam se comportar numa estrutura inversa à portuguesa.

“-Ora, inverte e pronto, ué, não sofre.”

Eu sei, criança, mas essa frase só fazia sentido, ou tinha graça, porque falava tal coisa no final. Ou ainda, o personagem suprimiu tal coisa, que, em português, precisa vir no início da frase. E se me rendo a improvisar numa piada, ela nunca existiu para quem lê a legenda.

E, assim, a construção toda se embaralha e, num filme de comédia como esse, a falta de clareza é comprometedora. Fizemos o que foi possível dentro do alcance e do prazo que nós mesmo estabelecemos gastar.

… Não bastasse isso, esse filme tem uma mistura de tipos de diálogos típicos de época, classe, idade, etc…

Enfim, acho que escrevi demais. Nem falei nada do filme ainda… Droga… O próximo post será mais curto, prometo.

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Responses

  1. […] anual da série animada de comédia Crayon Shin-chan, e está sendo aqui tratado em seguimento ao post anterior que relatava nossa experiência em fazer a legenda desse […]


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