Publicado por: WilliamIF | Abril 11, 2010

Dennō Coil (2007)

Antes de tudo, ficção-científica é ficção. Ontem alguém me lembrou disso, em função de uma crítica que eu fazia ao avaliar a falta de credibilidade de um suposto desenvolvimento tecnológico das coisas num filme. Eu dizia quão parcialmente teria ocorrido o mesmo para nos encontrarmos naquela condição em meio àquele conjunto de aparatos.

Mas alguém me trouxe ao mundo real e disse: a narrativa acontece sempre a partir de um universo pressuposto. Qual era então a validade de eu comparar com uma projeção do futuro mais fiel ao real? É ficção, afinal. Do ponto de vista do contador de estória, isso não tem validade. Fui injusto, certo… mas, do ponto de vista do contador de história tem, hehe, e o filme era bem ruim, e vou apresentar hoje uma obra de ficção a vocês.

Dennō Coil  (2007)

Sinopse: em 2026, quando se é lugar-comum usar óculos que são interfaces computadorizadas conectadas à rede, o mundo ganha um novo desdobramento virtual. Yuko Okonogi (nascida em 2015) é aluna nova numa escola em Daikoku, onde, com seus amigos, descobre que no mundo digital nem tudo está seguro para se navegar.

Vamos ver se eu lembro bem dessa série com a Micro-Review. Faz um bom tempo que eu a vi:

Zzzz: A série não é longa. 26 capítulos de 20 minutos é padrão médio de animes. Então porque pesquei? Muitas coisinhas acontecem sim, mas coisa relevante ao enredo, demora. O ritmo da série vez ou outra breca. Ele se faz jus: calmaria de momentos de conforto, silêncio nas horas tristes… Parece e é uma qualidade, mas ao longo da série a impressão que fica é de algo que demorou para vir e foi lento. Se devo acrescentar mais, digo que a série é escolar. Tudo está dentro das possibilidades conservadoras, enquanto que, com pouco mais de ousadia e projeção, um universo muito mais extravagante teria existido… O bicho virtual ser um cachorro, e anti-vírus com I.A. uma criatura quase icônica, pura e simplesmente, não dá.

Se a teoria cibernética é boa, o ciclo de corrida então…: A série da Madhouse para NHK Educativa não aguçava muita expectativa. Mas, nossa, como é bem feita! Particularmente acho que animes pecam por personagens ruins, mas nesse, o design, se não foge, também não é estereótipo do estilo, e cada um “atua” conforme o seu papel. Eles são bons atores, e atletas! Pois eles andam e correm e pulam com propriedade. Dá vontade de esquecer que falo dessa série em razão do seu fator de ficção científica! Já que lembrei, preciso dizer que eu quero aqueles óculos! Enfim, a hipótese dessa interface é, no mínimo atraente, tal como muitos de outros artigos apresentados na série junto às suas respectivas possibilidades fomentadas.

Como bons nerds, vamos falar de coisas da tecnologia. Coisas que me veio da série, que não a torna melhor, mas que  é divertido pensar… Três coisas só, juro:

1. Na pele (d) a máquina.

Acho que é senso-comum ela estar se tornando cada vez mais próximo de nós. Interface analógica, captação de nossas intenções (cognição verbal, motora, sintomas, estados emocionais, etc), e assim vai. Estou falando de uma faceta restrita da tecnologia de consumo em relação ao homem. Se pensarmos em informática, temos: desktop –> notebook –> palmtop –>wearable… Viu? Estamos mais próximos a cada dia. Na série chegamos a óculos, mas não no nível prótese/ implante à la Ghost in the Shell. Repare que nesse outro nível somos praticamente andróides… Oi? Se estou sugerindo que esse tipo de tecnologia caminha em direção a nos tornar andróides? Parece que sim, né? Próteses e implantes mecânicos já existem, os neuro-sensíveis e motores devem existir também… Então, por um lado a robótica se dirige a criação de ciborgs, por outro estamos indo em direção a andróides… Ciborgues VS. Andróides… hmmm… … …

2. Realidade é a percepção do real.

Mais uma coisa: a realidade aumentada está sendo representada de forma razoável na série… A realidade aumentada é, para não me prolongar, composta das possibilidades virtuais que contribuem para ampliação de nossa percepção do mundo. Não, não é só bichinho 3D. Ele está lá sendo projetado virtualmente sobre o nosso mundo, ao vivo, mas isso não é tudo. Na série temos “corpos virtuais” projetados à visão do usuário, tal como informes da cidade, artigos de entretenimento em geral, outros utensílios e utilitários como teclado, diário, serve de camada de visão potencializada (lente, filtro, guia, sensor, etc.)… Útil e divertido, não? Então, por isso que eu quero um desses óculos (já uso um, mas nesse não vem joguinho)… Repare que tudo rola em torno da visão. Feliz ou infelizmente ela é a nossa sensibilidade e definidor da realidade dominante.

3. E se dado fosse matérico?

A série experimenta ainda um caminho inverso. Software tátil. Aqui meu conhecimento pifou, mas achei curioso. O ponto de encontro entre software e hardware, normalmente tratados como dualidade (encontre paralelos: mente-corpo, conteúdo-forma, célula, etc.). Não me refiro a representação virtual de alguma entidade, mas aos Metatags, que na série são como folhetos materiais compostos de um conjunto de… “minério de dados” (?). Quando a lança – executa –,  ela se aciona e funciona. Ex.: barra, paralisa, repele, assume papel de arma branca/ vermelha (interferindo virtualmente como objeto) conforme “manufaturado” – programado –, etc. É potencialmente paralelo a simulação (e não simulacro) por assumir forma conforme suas leis internas, porém está a um passo adiante, e não sei dizer por certo o que isso significa.  Quem dera eu pudesse avançar nessa perspectiva, mas não sendo perito nem nada parecido, não posso ir além nessa discussão.

E foi-se para os ares a velha convicção minha de um post curto… Um dia, ainda um dia vou conseguir.

Fechando, Dennō Coil é uma boa série de ficção-científica. Eu já aprendi a lição e agora sei que não é um mérito absoluto a ficção da ficção-científica ser crível do ponto de vista científica, mas ela é uma série  com bastante pé no chão, e que trata de um componente em especial: os óculos de realidade aumentada. Se as especulações teóricas feitas por mim acima virão também a vocês, eu não sei dizer por certo, mas seria bom. Apresento essa obra não só por ser do Japão, mas porque é genuinamente uma agradável obra de ficção científica. Se você é fã de high-tech, sci-fi, ou de anime (ou de boa animação mesmo), recomendo.

(Dennō Coil, 電脳コイル, Dir. Mitsuo Isso, Madhouse Studios, 2007)

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